A falta de mão-de-obra especializada tem forçado as indústrias de confecções em Goiás a terceirizar mais da metade da produção do Estado. É o que destaca o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário no Estado de Goiás (Sinvest), José Divino Arruda. Mesmo sem levantamentos oficiais sobre esses números, ele, que também é empresário no setor, elucida que, sem a possibilidade de novas contratações de pessoal para a indústria, o segmento tem se apoiado em pequenas facções para suprir a crescente demanda pelas peças goianas.
Arruda cita o empreendedorismo de ex-funcionários do segmento e o baixo investimento em equipamentos exigidos na abertura de facções como justificativa da fuga dos funcionários da indústria. De acordo com ele, são comuns os pedidos de demissões de empregados experientes, que tentam a sorte como empresários em facções, setor que vem crescendo “espantosamente”.
Não há levantamento exato sobre o número de facções em Goiás. Porém, Arruda acredita que entre formais e informais já sejam milhares delas em todo o Estado - todas abertas pela necessidade do setor. O sindicalista pontua que os pátios fabris das indústrias se tornaram pequenos se comparado à demanda. Atualmente, Goiás ocupa a sétima posição no ranking nacional das confecções, com uma produção de 10 milhões de peças por mês e uma movimentação mensal de R$ 280 milhões.
Arruda esclarece que a onda de terceirizações tem sido benéfica ao setor, que atualmente carece de mão de obra especializada. Entre os pontos positivos, ele destaca o grande volume de peças obtido na terceirização. Os contratos com as facções são fechados com prazos pré-estabelecidos para a entrega e que são sujeitos à multa, como redução do montante pago pelo serviço e até a desfiliação da facção da lista de prestadores de serviço. Com isso, dificilmente os prazos da indústria com grandes compradores das peças são quebrados, garantindo assim a presteza da indústria goiana.
O presidente do Sinvest ainda informa que por se tratar em grande parte de organizações familiares ou de amigas, as facções acabam por não manter horários específicos de trabalho e quase sempre acima da carga horária normal aos empregados da indústria. “Para cumprir as metas, as faccionistas acabam por passar do horário normal de trabalho e até optam pelo trabalho aos sábados e domingos para não perder o cliente”, relata. O pagamento às facções é realizado em cima do número de peças produzidas o que estimula ainda mais a produção, regime que dificilmente seria mantido na indústria.